segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Morte Existe

Realmente, a morte é a única certeza absoluta. Nunca havia a sentido com tanta força e fúria.

Seu vazio tomou conta de minha alma tal qual a onda na rebentação. Tentei resistir, fiz quase o impossível, mas ela foi muito forte.

Tão forte que estou nesse momento sozinho em minha casa disposto a digitalizar meu sentimento através dessas linhas perdidas, enquanto minha amada e querida segunda mãe está em um quarto rodeado de entes queridos(?) sendo velada.

Minha avó faleceu, mas ela foi mais importante pra mim que minha própria mãe. 

Ela apresentava um problema na sua locomoção, estava andando muito devagar e com dificuldades.
Alguns anos atrás sofreu um acidente em casa.  
O que resultou em sua queda numa manhã em que preparava o café da manhã para nós.

Sua queda foi um evento grave:  faturou o fêmur e a fratura atingiu outros ossos em seu interior agravando mais a situação.

Pela sua idade (69 anos) ela teve que ser submetida a internação na U.T.I. e ficou 4 dias internada.

Até lembro de minha mãe chorando na cozinha após uma visita feita ao hospital, suas palavras foram fortes demais pra mim. Ela disse: "Tive tanto medo de sua avó não voltar para casa."

Mas ela voltou, não a mesma pessoa... mas voltou.

Ela tinha muitos delírios estranhos, uma paranóia sem sentido, estava muito atormentada. 
Quando conseguia dormir ela tinha pesadelos que a confundia com a realidade, e acordava aos gritos, num sofrimento aparentemente dissimulado, mas que causava um choque na gente de forma real.

Tanto que isso nos impediu de dar o carinho que ela merecia, pois o fato do sofrimento noturno sem causa real, de ilusão foi um fardo pesado demais para nós.
E isso gerou muita dor, muito sofrimento, e eu pensava que esse sofrimento era uma preparação para o que estou vivendo agora.

Mas que ser humano consegue antecipar o sofrimento real? A verdade é que estou sofrendo, meu peito está me esmagando.
Da última internação da minha amada avó, minha mãe disse: "Dessa vez sua avó não vai voltar."
Com um sentimento que me enganava tentei ser racional ao invés de dizer o que eu sentia, respondi que era o melhor para ela.

Realmente poderia até ser, mas para nós, para mim... o fato de hoje ela estar lá para ser enterrada, pois está morta... não é o melhor pra mim.
Quanta saudade de ti minha querida avó, quanta dor da sua ausência.

Queria dar o último abraço, cadê você que me ouvia? Que me entendia? Que me amava? Que me fazia o carinho quando eu precisava? Que sabia a palavra certa pra me dar ?
Minha melhor amiga, minha única amiga...
Não quero te dizer adeus minha querida... não quero... você disse que ia assistir meu casamento.
É muita dor, não posso continuar assim... mas tenho que enxugar meu rosto agora.
Vestir uma mascara fria para tentar dar suporte a minha mãe e minha irmã, elas precisam de mim agora.
Vim aqui apenas pegar seus documentos, mas está tão doloroso... tão difícil...
Ultimamente tentei ser forte devido aos acontecimentos anteriores, mas isso aconteceu mesmo, você se foi e tudo que em mim existe está indo também. Ainda tenho alguns amores, a Adriana estará ao meu lado para me dar a força que preciso, ontem ela ficou pouco tempo, mas sei que ela não deixará de estar segurando minha mão quando o caixão baixar, pois caso contrário não irei suportar, morrerei junto da minha querida avó.
Preciso ir... mas não te direi adeus minha querida, nunca.